Eu fiz uma base
Nos raros momentos em que alguma composição flui de verdade, eu sempre começo com o grave, a base.
Faz já alguns dias que essa base tá na minha cabeça.
É simples, 4 conjuntos de 4 notas intercaladas duas a duas, mas ficou tão bonito, e foi tão sem querer.
As luzes estavam apagadas e o pouco que ajudava a diferenciar as teclas brancas das pretas vinha de um fim de tarde quase morto, cinza de uma terça-feira se não me engano. Tocar na penumbra é legal. Penumbra é uma palavra legal, também.
Penumbra. Será que dá pra ser o nome da música? Sei lá.
Nem é uma música ainda, é só uma base.
Já toquei tanta coisa em cima dela pra ver se algo sai bom, e às vezes dá certo, às vezes não.
Mas eu não to me importando em terminar, porque foi uma das melhores sensações que a música já me proporcionou até hoje:
Tocar a base indefinidas vezes, para o infinito e além, e soltar o resto da música, assim mesmo, como quem respira.
As vezes tosse, quando eu erro, mas na maioria do tempo é respiração. E é algo tão único e inexplicável, que eu queria postar aqui, num botão magico que alguém clicasse. ‘Sentir o que ele sente quando toca’, num botão grande e vermelho.
Não me interprete mal, não é uma música tão linda assim, talvez até decepcionante se algum dia eu gravar ou postar. Sou só eu ali, só que dá pra ouvir, me ouvir.
E eu me esqueço das partes boas que eu fiz na melodia, mantendo a mesma base, simplesmente pelo prazer te tentar novas, de novo e de novo.
Pode ser meio besta, mas eu gosto que ela dure assim.
Pra sempre.
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